Data: 02/11/09

Samba-de-roda, de angola, cabula, samba-chula… Seja qual for a origem do pagode baiano, o fato é que ele não é mais o mesmo. Desde o Gera Samba, que virou É o Tchan, até o Fantasmão (do tempo de Eddye), muita coisa mudou nessa explosiva mistura de música e sensualidade. Tentar encontrar a raiz do pagode talvez seja uma tarefa tão difícil quanto remontar à origem do samba, como explica o etnomusicólogo e compositor Luciano Caroso: “O que se chama de samba em dias atuais é algo, para mim, mais interessante de ver nos seus processos do que nas suas origens”.
Eddye, que agora inaugura um novo trabalho, a Edcity, sua mais nova banda, e vem com um novo disco, Rap Groovado, é um dos que promovem essa transformação. Vale frisar que, ao sair do Fantasmão, levou praticamente todo o grupo com ele. Só ficaram lá os agora vocalistas Tierre e Cassinho
Caetano Veloso, na coletiva de lançamento de Zii e Zie – seu disco mais recente, no qual gravou uma faixa com trechos de músicas do Fantasmão.
Se o Psirico traz a primazia, o Fantasmão – que surgiu há três anos, com a saída de Eddye do Parangolé – é, sem dúvidas, a radicalização de toda essa transformação. “Eu me surpreendi com a riqueza de elementos novos, principalmente o Fantasmão”, observa o maestro Zeca Freitas.
E, na opinião dele, o Fantasmão já começa a experimentar outras linguagens,. “São novas elaborações sobre o velho e bom samba”, diz o músico, que ressalta ainda a evolução significativa dos instrumentistas que trabalham nesses grupos. “Tem muito percussionista bom”.